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Orgasmo é energia – Reich

William Reich é daqueles ícones da psicologia que nenhum estudante consegue passar incólume. Um alemão que se arroga o estudo do corpo e da sexualidade e levanta o pressuposto que o corpo humano e o universo é sustentado por uma mesma energia: o ORGONE.

Cara de louco, mas só a cara!

A mesma experiência do orgasmo que em algumas pessoas flui e em outras é bloqueada que Reich atribui a causa e cura dos problemas físicos e psicológicos.

Como decorrência desses estudos desenvolveu uma série de técnicas que visam liberar essa energia bloqueada e acumulada em outras partes do corpo.

Ele percebeu que haviam couraças que seriam resultado do acúmulo energético da orgone por conta da repressão de nossa cultura moralista. Ele apregoava que o ser humano precisaria ter o máximo de consciência e vivência que pudesse com seu corpo, suas emoções e seus desejos para ser realmente livre.

Sua teoria foi combatida, desprezada pelos meios psicanalíticos, mas muito do que se diz sobre sexualidade humana se deve ao trabalho desse pensador incompreendido.

O vídeo seguinte fala sobre uma das descobertas de Reich, a caixa orgônica.

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Gaiarsa, minha inspiração na psicologia

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Freud, criador da Psicanálise

 
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Publicado por em 17/08/2011 em Personagens

 

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O mestre que recusou ser mestre – Krishnamurti

“Experiência é uma coisa e experienciação é outra. A experiência é uma barreira ao estado da experienciação. A experiência é uma barreira ao estado da experienciação. Por mais que a experiência seja agradável ou feia, ela impede o florescer da experienciação. A experiência já está na rede do tempo, já está no passado, tornou-se uma lembrança que é revivida somente como uma reação ao presente, A vida é o presente, não é a experiência. O peso e a força da experiência obscurecem o presente e a assim a experienciação vira experiência.”

O que você faria se alguém chegasse até você em sua infância e dissesse que é o novo escolhido para ajudar a humanidade? Depois seria criado em um clima de grande espiritualidade para ser mestre? Muitos seguiriam nessa missão por toda uma vida.

Menos Krishnamurti, mestre indiano que abriu mão de ser um mestre reconhecido em seu tempo. Mas isso não fez com que ele se tornasse uma pessoa menos valiosa, foi mestre e guia espiritual de muitas pessoas mesmo se recusando a sê-lo. Vale a pena ver a série de entrevistas que ele deu.

Ele pregava um tipo de espiritualidade livre de regras, dogmas e prática que levassem a mente para longe do presente. Era um mestre espiritual prático e que condenava a busca espiritual, para ele: “essa autogratificação estendida é considerada progresso espiritual, tornando-se particularmente feia e brutal quando você tem intermediários entre o discípulo e o mestre. (…) A humildade não é resultado não é o resultado final de práticas e sacrifícios espirituais. A humildade não é uma conquista, não é uma virtude a ser cultivada deixa de ser virtude, pois então é meramente uma outra forma de conquista, uma marca a alcançar. Uma virtude cultivada não é uma abnegação”

Entrevista – parte 1

Entrevista – parte 2

Entrevista – parte 3

Entrevista – parte 4

Entrevista – parte 5

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Publicado por em 21/07/2011 em Personagens

 

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Matemática errada do amor – Clarice Lispector

“Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil.”

Essa escritora ucraniana Clarice Lispector (http://pt.wikipedia.org/wiki/Clarice_Lispector ) naturalizada brasileira mexe com minha mente, pois sua maneira de ver o mundo enfrenta a lógica comum.

Ela se permite confrontar com a natureza humana, por essência, contraditória. Ódio e amor, fidelidade e traição, Deus e o ceticismo caminham como amigos na retórica de Lispector.

Vale a pena esse documentário

Entrevista com Clarice Lispector – parte 1

 

 

 Entrevista com Clarice Lispector – parte 2

 

Entrevista com Clarice Lispector – parte 3

Entrevista com Clarice Lispector – parte 4

Entrevista com Clarice Lispector – parte 5

 

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Publicado por em 19/07/2011 em Personagens

 

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O amor é contagioso – Patch Adams

“Não concordo com ‘rir é o melhor remédio’. Eu nunca disse isso.

A amizade claramente é o melhor remédio”

É muito conhecido o filme que retrata a vida do médico norte-americano Patch Adams. Ele critica esse filme como uma exaltação de um esforço de construir o primeiro hospital maluco da história quando na verdade ele está lutando pela causa da medicina. “Falo de um país que se recusa a cuidar de 50 milhões de pessoas porque são pobres.”

Vale à pena dedicar um tempo para ver sua entrevista no Roda Viva!

Roda Viva com Patch Adams – parte 1

Roda Viva com Patch Adams – parte 2

Roda Viva com Patch Adams – parte 3

Roda Viva com Patch Adams – parte 4

Roda Viva com Patch Adams – parte 5

Roda Viva com Patch Adams – parte 6

Roda Viva com Patch Adams – parte 7

Roda Viva com Patch Adams – parte 8

Roda Viva com Patch Adams – parte 9

Roda Viva com Patch Adams – parte 10 FINAL

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Publicado por em 14/07/2011 em Personagens

 

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Meu destino é pecar – Nelson Rodrigues

“Meu destino é pecar.”

“A adúltera é mais pura porque está livre do desejo que apodrecia nela.”

Ele é o mestre da realidade mais crua, Nelson Rodrigues. Pernambucano de raiz e carioca de coração escreveu e retratou por meio de contos e crônicas o cotidiano do brasileiro médio e seus desencontros.

Era afiado em seus comentários e falou de realidades que ninguém se atreve a tocar. Adultério, incesto, morte e suicídio, tudo já passou pela sua maquina de escrever pecadora.

A escrita era sua ferramenta, o pecado era o seu ofício. Sua obra merece ser conhecida.

Entrevista para Otto Lara – PARTE 1

Entrevista para Otto Lara – PARTE 2

Entrevista para Otto Lara – PARTE 3

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Publicado por em 13/07/2011 em Personagens

 

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Amor e poder – Carl Gustav Jung

“Onde o amor impera, não há desejo de poder; e onde o poder predomina, há falta de amor. Um é a sombra do outro.”

“Só aquilo que somos realmente tem o poder de curar-nos”

A Carl Gustav Jung, este gigante da psicologia moderna, que devo a verdadeira razão para meu encanto definitivo com a Psicologia.

Psiquiatra de formação ele foi um grande investigador da mente humana. O mérito de Jung foi mergulhar no universo da psicanálise e entender todos os mecanismos mais primitivos da mente humana e sua relação com a sexualidade ao lado de Sigmund Freud. No entanto, esse pensador suiço não se deteve e seguiu sua pesquisa para além do ego.

Considerou a existência de grandes arquétipos como forças inconscientes que moldam nosso psiquismo como o velho sábio, o herói, a criança, a sombra e a grande mãe.

Seus estudos abriram caminho na psicologia para uma visão mais integrada com aspectos transcendentais da natureza humana e isso, por si só, já seria a coroação de sua obra.

Entrevista parte 1

Entrevista parte 2

Entrevista parte 3

Entrevista parte 4

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Publicado por em 11/07/2011 em Personagens

 

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A cegueira – José Saramago

“Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.”

José Saramago dispensa apresentações, e as merece todas. Pois quem nunca teve contato com sua obra literária tem a alma um pouco mais pobre do que aquele que pôde se deliciar de sua escrita incomum.

Esse escritor, dramaturgo e poeta português que faleceu com todo o vigor de 87 anos em 2010 deixou grandes inspirações para o pensamento humano. Além do mais uma vida belíssima de exemplos de superação e capacidade pessoal de renovação.

Seu estilo literário é delicioso de ler, pois você lê Saramago ouvindo suas palavras já que o fluxo do texto se assemelha muito à fala diária.

Esse homem morreu lúcido e com o coração vivo, batendo por Pilar, sua amada companheira. Um pouco da história desse casal está aqui embaixo.

E também uma participação dele num documentário que fala sobre cegueira.

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Publicado por em 08/07/2011 em Personagens

 

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Pelo direito de broxar – Xico Sá

“Este mal-diagramado que vos sopra o cangote soltou uma tese na mesa, que teve seus contestadores, mas acabou vingando de alguma forma: pelo direito sagrado à broxada.

Pelo direito de falhar, pelo direito de ouvir um lindo “relaxa, meu bem, isso acontece até com o Peréio e o Michael Douglas, eu te garanto.”

Tempos chatos estes da felicidade química a qualquer custo. Como diz W., uma amiga curitibana, linda afilhada de Balzac, hoje em dia as mulheres não sabem mesmo se são o motivo daquele sexo inspirado ou se tudo não passa de mais um milagre da pílula.

Acabou aquele suspense, hitchcockianismo do amor, diante da possibilidade de um retumbante fracasso na cama. Acabou o orgulho da moça em fazer funcionar algo aparentemente leso e morto.” (texto integral aqui)

Xico Sá é uma figura peculiar do cenário literário e jornalistico brasileiro. Eis um cearence que fala o que pensa.

Dono de uma inteligência cotidiana à moda de Nelson Rodrigues, Xico Sá consegue desvendar por meio de seu texto bem humano e cítrico os amargores do homem contemporâneo. Ele é contra as perfeições, lugares comuns, moralistas e com pobreza de espírito.

Vale a pena conhecer sua presença, mais do que as ideias, pois ao conhecer a pessoa suas ideias se enaltecem.

Aqui vai um vídeo que preparará o texto sobre beleza e feiúra que colocarei no ar mais tarde. Genial!

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Publicado por em 07/07/2011 em Personagens

 

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Filosofia para todos – Alain de Botton

“O mundo não deve ter fronteiras, mas horizontes”

Esse jovem filósofo, escritor e produtor de TV me impressionou com a maneira simples agradável com que levou a filosofia para a grande massa. Alain de Botton consegue navegar gentilmente pelos campos da arquitetura, mídia, filosofia, viagens, amizade e amor.

Ele não esconde ou torna obscuro pensamentos profundos como os de Nietzsche, Proust, Seneca, mas tenta torná-los compreensíveis para todos.

Para acessar seu site clique aqui.

Vale muito a pena assistir sua palestra para o TED (tem legenda em português) em que fala sobre o mal estar contemporâneo, da inveja e da baixa autoestima.

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Publicado por em 06/07/2011 em Personagens

 

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Homenagem ao meu pai

Tenho colocado textos de pessoas que influenciaram minha forma de ver o mundo como sábios, filósofos, terapeutas e exponentes das melhores visões de mundo.

Nunca pensei que eu escreveria sobre meu pai no meu blog e nem algo tão pessoal, mas vamos lá!

Olha o naipe do cabrón!

Ele não tem nenhuma menção no Wikipedia, nenhum vídeo no Youtube ou perfil do Twitter, nenhuma frase marcante, nem ensinamento especial. O único link que posso referenciar ele está ligado diretamente no meu coração.

O Sr. André Simplício de Oliveira Mattos Filho completaria 72 anos no dia de hoje, canceriano puro.

Minha relação com ele sempre foi de muita ambivalência, de um lado o tinha como a mola mestra que sustentava os humores da minha casa, de outro esses altos e baixos me deixavam louco.

Ele era aquele que sempre colocava a vida para seguir adiante, seu jeito extravagante e falastrão dava energia para todos de casa ao mesmo tempo que nos envergonhava. Ele soava inconveniente em várias ocasiões com seu excesso de emocionalidade e impetuosidade.

Sedutor nato, sempre tinha um gracejo e uma palavra para impressionar a mulherada.

Isso me aborrecia, pois eu adotava o ponto de vista de minha mãe que como boa botucatuense e tímida ao extremo considerava meu pai um assanhado assumido.

Essa visão carregada de julgamentos me fez distanciar daquele homem que durante 13 anos de minha vida era meu herói. A perda de seu emprego como técnico em perfuração de petróleo na Petrobrás abalou radicalmente seu orgulho pessoal. E com o tempo isso iria mudar o rumo de toda a família.

Ele saiu muito jovem do Pará fugindo de uma tradição de fazendeiros de castanhais. Um dos netos dos fundadores da pequena cidade de Oriximiná trazia no sangue essa sede por descobrir novos espaços e avançar mundo afora. Abdicou de uma potencial riqueza para descobrir novos caminhos.

Quando descobrimos que ele estava doente o ar da casa, antes marcado pelas restrições financeiras, ficou pesado de um jeito novo. O rei estava frágil. Quem faria as comemorações, tiraria as fotos, coloriria as paredes da casa, mudaria os móveis, criaria histórias divertidas ou brigaria por nós?

O câncer linfático o levou embora em 3 anos, eu estudava para o vestibular em casa sozinho, acompanhei cada passo de sua internação. Me lembro de estar a sós com ele no hospital me dizendo que sentia dor nos pés. Notei que estavam secos, peguei um creme hidratante e passei tranquilamente. O alívio em seu rosto me trouxe profunda felicidade. Naquele momento eu me dei conta de que perderia meu pai e senti pela primeira vez o cheiro da morte no meu coração.

Me lembrei das inúmeras vezes que ele fazia carinho nos meus pés. Ele adorava que eu deitasse ao lado dele para me contar histórias e fazer cafuné. Eu retribuia tirando aquele algodãozinho de fiapos do umbigo dele (ele dizia que tinha uma plantação de algodão na barriga) ou tirando os longos pêlos de sua orelha. Era nosso momento de pai e filho, bem visceral.

Ele partiu no dia 22 de julho de 1999 deixando sua esposa e casal de filhos. Fiz 19 anos com profundo luto e torpor naquele ano, parecia tudo irreal. Toda a negação que fazia até então daquela caricatura negativa que construí dele deu lugar a um homem espirituoso, carinhoso, generoso, extremamente expansivo e simpático.

Muito da perda da timidez se deveu ao fato de assumir a porção de André que eu tinha em mim reprimida.

Nem sei como passei no vestibular naquele ano, mas graças ao seu seguro de vida pude pagar o começo da faculdade de psicologia. Não fui o fotógrafo e nem o jogador de futebol que ele sonhou que eu fosse. Mas ele sempre me chamava de Campeão. Não tive a chance de mostrar a ele o homem que me tornei, confesso que tenho curiosidade de saber o que ele diria.

Hoje eu choro com riso nos lábios sua ausência. Quando olho e coloco a mão na mancha de nascença que tenho na minha barriga (idêntica a de meu pai) posso sentir ele fazendo cócegas em minha alma de filho e dizendo “segue em frente campeão!”

Frente às adversidades e diante desse pedido tão simples, não me permito abater por muito tempo, afinal para alguém que mora no infinito do meu interior eu já venci!

Obrigado pai, muito obrigado!

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Publicado por em 03/07/2011 em Personagens

 

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