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“Você me completa”

09 out

Existe uma crença antiga das duas metades da laranja, da tampa e a panela, o chinelo velho com o pé cansado.

Grude?

O mito da incompletude que se preenche no relacionamento é antigo. E a sensação de que existe alguém nesse planeta que pode completar meus maiores anseios realmente é fascinante.

Já imaginou? Saber que a qualquer momento todas as suas dores e angústias mais profundas poderão ser abastecidas pelo toque de Midas de um amor para a vida inteira?

Seria mágico encontrar na voz de uma pessoa tudo o que os ouvidos gostariam de ouvir.

Seria fascinante ser tocado por mãos suaves que simplesmente acalmariam nossos sentidos.

Seria ardoroso ter o corpo remexido por um encaixe perfeito de prazeres convertidos em orgasmos múltiplos.

Seria ainda mais fabuloso saber que toda a busca cessou, todo o medo acabou e que você está de volta em casa. Intocável.

Algumas histórias podem traduzir exatamente essa sensação de jornada cumprida.

No entanto, o que a realidade demonstra é que essa sinergia perfeita é bem trabalhosa.

Hoje em dia já é senso comum saber que cada pessoa é uma individualidade independente. E como seres únicos vamos nos relacionar com outros seres únicos. O problema é quando o bichinho do amor nos pica e passamos a acreditar que nossa vida está simbioticamente associada à outra pessoa.

Duas identidades viram uma. Basta dar uma olhada em perfis de Facebook, a foto da pessoa é mostrada com a pessoa amada, com os filhos ou a família toda. O senso de individualidade se perdeu ali.

Essa crença subliminar pode ser um grande perigo para o casal. Acreditar-se um com o outro traz a aparente ilusão de fusão definitiva em que cada pessoa perde sua intimidade e seus segredos quando está com o outro.

Conheço inúmeros casos de pessoas que tem a senha do e-mail, Facebook, do banco como se fosse a outra pessoa.

Isso não é amor, mas controle.

Pessoas abrem mão de sua personalidade para se moldar ao que o outro espera. Isso pode ser nocivo a tal ponto que se perde o espaço pessoal e os gostos favoritos.

Um belo exercício seria pensar no afastamente da pessoa amada por 5 anos ou a morte. Dependendo da reação pode-se saber qual o nível de apego e carência você deposita no outro. Isso também indica o tipo de peso que você delega de sua vida. Desse modo também perceberá qual o tipo de reclamações você faz do seu companheiro(a) e talvez se dar conta que está exigindo mais do que deveria.

Tampa da panela, será?

_____________

Venha conhecer o meu trabalho pessoalmente na próxima palestra que realizarei:

Solteira, Namorando ou Casada: Entenda como lidar com os homens  e resolver conflitos amorosos.[mais informações]

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2 Comentários

Publicado por em 09/10/2011 em Relacionamentos

 

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2 Respostas para ““Você me completa”

  1. Rosana Rogeri

    09/10/2011 at 6:27 PM

    Fred, pessoas que se apresentam em redes socias com fotos dos filhos ou com os filhos, não de si, filhos, demonstram que estão vivendo em função desse novo ser? Ou isso é muito pouco para indicar algo. Imagine um casal, onde os perfis de ambos têm o filho, não a família, mas ou só o filho ou um dos pais e a criança. Sempre achei estranho isso, agora com seu texto, fiquei pensando em alguns amigos q, depois que tem filhos, não mais existem, são apenas o pai e a mãe de fulano.

     
    • blogsobreavida

      12/10/2011 at 12:48 PM

      É um indício. Nada é determinante na natureza humana. Com certeza essa anulação da própria personalidade para viver uma realidade partilhada pode ser algo perigoso até para a própria relação. Duas pernas andam melhor do que uma…

       

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