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Maridos bananas – Esposas insatisfeitas

18 set

Ontem eu notei um casal que estava na minha frente e não resisti ao reparar na maneira que eles se tratavam.

Ele parecia um grande bebê se escorando no ombro dela. Ela colocando o seu braço em torno do ombro dele quase ninando o marmanjo.

Ele é impotente diante de si!

A origem

É muito comum que eles tenham se conhecido de maneira não muito típica, talvez fossem amigos. Até nessa hora faltou força para ele tomar uma atitude. Acontecem quase que por obra do acaso ou um empurrãozinho da mulher.

O cara normalmente é um fofo: sensível, carinhoso (ou carente), atencioso, gentil, mas ao mesmo tempo é instável, melindroso, ressentido, hesitante, não resolve problemas práticos e só funciona no tranco (quando resolve agir). Não sabe viver sozinho e costuma mergulhar passivamente no mundo da mulher, não toma uma decisão sem consultá-la e sempre está receoso de tudo. Tem baixa energia masculina.

Sua educação provavelmente foi matriarcal, com um pai ausente e fraco (com quem se identificou) ou violento (a quem repele).

A mulher costuma ser super pró-ativa, decidida, resoluta, realizadora, firme nas atitudes, direta nas palavras e resolve tudo, de outro lado pode ser ríspida, intransigente, protetora ao extremo, engole os outros e acha que está sempre certa. Sua postura básica é maternal com tendência a tratar o marido como uma criança que precisa ser direcionada.

Desde cedo foi muito cobrada a resolver as coisas, amadureceu precocemente e desde cedo já tomava decisões importantes.

O desenrolar

Esse tipo de casal tem uma interação curiosa. A mulher sempre passa na frente para fazer tudo enquanto o marido fica esperando e olhando sem intervir. Ele procura apoiar e dar suporte, mas é sempre medroso na hora de assumir compromissos reais. Nos dilemas decisivos de casal ele recua e ela precisa tomar a dianteira e agilizar a solução.

Consertar um móvel, pregar um prego, trocar chuveiro são tarefas que ele desconhece. É bagunceiro e desorganizado e costuma ter a mulher por perto sempre se queixando de sua inoperancia.

Ele se afunda num mar de autopiedade e lamentação, alega que é incapaz de mudar, se fecha na sua concha e fica com cara amarrada.

Ela olha para aquilo e sente dó acompanhado de amargor. Sabe que é a milésima vez que insistiu para que ele reagisse. Mas quando vê aquela reação de menino que não quer crescer suge o desespero silencioso: “até quando eu vou aguentar segurar o peso sozinha!”

A energia feminina dela já está exausta de sempre ter que dar suporte. Ela queria simplesmente cair nos braços do seu homem e ficar despreocupada. Saber que quando vai para cama é para ser embalada em sonhos ou ter prazer.

No sexo não se combinam muito. Ela normalmente requisita mais do que ele se dispõe a dar. Na cama ele costuma ser inibido, com pouca iniciativa, vigor e nada criativo. Sente-se inibido por medos, preconceitos, travas pessoais e excesso de moralismo. Ela normalmente é mais ousada e cheia de vontade. Isso o humilha, por isso sempre procura inibir a vontade dela ou repreender sua vontade com críticas veladas em forma de recomendações amigas.

Essa música da Lily Allen retrata isso que acabo de falar.

Sua falta de ímpeto não leva essa mulher a grande emoções. Ela chega a olhar o rapaz da trabalho que faz tudo com agilidade e prontidão com olhos diferentes. Sonha que seu marido que é tão honesto, trabalhador e fiel pudesse se tornar mais sacana na cama. Ela se sente culpada em não valorizar um homem tão bom, mas em vários sentidos pouco satisfatório.

O fim trágico

Os anos de duro convívio testam a resistência dessa mulher que está casada com a sombra de um homem.

Sem tesão, sem alegria, sem esperança e sem mudança prática essa mulher vai cedendo aos seus desejos e sentimentos. Nem sempre eles são direcionados ao marido. Com o tempo elas estão vulneráveis à cantadas e paquera. Como o marido não reage em relação a ciúme ela se sente até mais solta e pode até trair.

Mas a bomba mesmo é quando ela anuncia (é sempre a mulher fazendo muito esforço) que o casamento acabou!

Ele simplesmente não  se conforma, esbraveja, chora, promete que irá mudar.

Ele simplemente não sabe o que vai fazer dali para a frente, mas a mulher separada vai se resolver mais. Ela está pronta para movimentar sua vida, ele não.

Esse casal está fadado a terminar. Ele é um homem que não consegue ter animo para viver e seria injusto diminuir a intensidade dela.

Agora deixo para a reflexão, o que fazer diante de um cenário desses?

____________________

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10 Comentários

Publicado por em 18/09/2011 em Relacionamentos

 

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10 Respostas para “Maridos bananas – Esposas insatisfeitas

  1. Paulo

    19/09/2011 at 11:20 AM

    Muito bom o texto !

    Agora, quanto ao que fazer diante de um cenário desses?

    Acho que em primeiro lugar já é bem difícil um casal sequer reconhecer este cenário, não acha? Neste caso vejo um homem que espera muito e se contenta com pouco, e uma mulher que espera pouco, e não se contenta em não ter o que quer, mas divago …

    Nesse desequilibrio evidente, a pergunta certa não seria, como fazer com que ele entre em contato com sua energia masculina? rs

     
  2. Rosana Rogeri

    19/09/2011 at 10:25 AM

    Fred. ,meu filho é criado por uma mãe dessas aí q vc citou, deu medo agora. heheh
    Mas mesmo com 13 anos ele assume uma postura ativa, é lider do grupo de amigos, procura fazer os serviços “de homem” para mim, mas sinto receio ainda de ele se tornar um banana… a figura paterna dele também foi descrita aí no texto.

     
  3. Giovanni Gigliozzi

    18/09/2011 at 1:38 PM

    Boa, Fred! Fico feliz com a repercussão que seus textos e postagens no facebook estão tendo. É isso aí, cara!

    Seu texto me fez lembrar da natureza mutável da nossa postura interna (de mente, corpo, relações). Sempre que leio sobre os “tipos” de homem, lembro que eu sou todos aqueles tipos. Na prática, pode rolar uma postura crônica (é disso que você tá falando), mas num nível mais profundo somos todas essas identidades, juntas, indissociáveis, em suas várias formas.

    Quando buscamos ser O masculino bem-resolvido, presente, seguro, ereto diante da vida, isso já cria uma contradição. Pressupõe certa insegurança e insatisfação consigo mesmo, e o desejo de ser algo diferente de si. A questão é “buscar” ser esse masculino, ou essa já é nossa natureza primordial? E é nossa natureza, porque há tantos homens (incluindo eu e você) bundões, chorões e medrosos? E o principal: como fazer emergir essa natureza primordial sem cair na armadinha desejo/busca/falha/frustração/infelicidade?

    PS.: Uma curiosidade engraçada: tinha acabado de trocar o chuveiro aqui, antes de vir ler seu texto. Achei o máximo você citar isso. hahaha

    Abraço do seu amigo bundão!

     
    • blogsobreavida

      20/09/2011 at 5:49 PM

      Cara! bela reflexão, mas nada impede de você ser um bundão e chorão (sou assim as vezes) e inseguro e buscar essa natureza primordial masculina. É apenas evidenciar o que estava oculto. Acho que sempre vamos cair em desejo/busca/falha/frustração/infelicidade, sempre! Inevitável, pois não há caminho que garanta imprevistos emocionais. O grande treino é nào ficar parado e fixado por muito tempo nesses impasses!~

      Abraço forte deste amigo bundão que lhe escreve! hahahah

       
      • Giovanni Gigliozzi

        22/09/2011 at 2:46 AM

        Eu: “Eu sou todos aqueles tipos”

        Você: ” O grande treino é nào ficar parado e fixado por muito tempo nesses impasses!”

        Exatamente. Somos todos eles. O lance é dançar com essas identidades.
        :)

         
  4. chokitoplnFabio

    18/09/2011 at 12:44 PM

    Não sou casado, mas muito bom o tópico.

     

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