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Dependência, apego e morte!

07 set

Hoje é o dia da independência, acho que o tema é bem pertinente.

Somos especialistas em usar os pronomes possessivos.

Presos por mãos que não existem

pessoa do discurso pronome possessivo
1ª pessoa singular meu, minha, meus, minhas.
2ª pessoa singular teu, tua, teus, tuas.
3ª pessoa singular seu, sua, seus, suas.
1ª pessoa plural nosso, nossa, nossos, nossas.
2ª pessoa plural vosso, vossa, vossos, vossas.
3ª pessoa plural seu, sua, seus, suas

Com o passar do tempo nem notamos o quanto isso pode escravizar nossos pensamentos e criar uma bela ilusão emocional: de que as pessoas e coisas realmente nos pertencem. Associada com essa posse a necessidade de controle.

“MEU filho é coisa mais importante da MINHA vida.”

Eu tenho medo quando ouço frases assim e sinto compaixão pela criança.

Essas frases são tão comuns que nem notamos as armadilhas implicadas nelas.

Quando afirmo isso é MEU, eu sou a primeira pessoa aprisionada na afirmação.

Perceba como a liberdade pessoal é lentamente deixada de lado. Silenciosamente começamos a roubar da pessoa sua fluidez natural e passamos a estabelecer uma relação de dominação sutil. Mas nesse jogo, dominador e dominado estão acorrentados na mesma prisão.

“MINHA esposa fez tal coisa”. Essa frase denuncia uma completa cegueira. Aquela mulher (livre de papéis) fez tal coisa. Por acaso nesse momento um dos papéis que ela assume é o de sua esposa.

Reduzir uma pessoa à um papel que esteja ligado aos nossos desejos costuma nos encaminhar para lugares perigosos.

A estrutura mental por trás disso que está sendo questionada. Por um motivo simples, os papéis mudam e a felicidade quer ganhar espaços mais arejados.

Ao seu lado uma pessoa pode estar asfixiada. Você a ama? Então deveria desejar que ela fosse para paisagens mais amplas. Se você não tem coragem, disponibilidade, vontade ou condições é justo impedir que a outra pessoa fique aprisionada? Manter alguém infeliz ao seu lado é inveja [clique aqui]. Você sem perceber pode chama isso de amor.

Se alguém quer ser feliz de um jeito específico que eu não posso proporcionar, então ela tem amplos direitos de seguir à diante. Ela não é sua. Nunca foi.

Imagine o seguinte cenário, uma mulher quer engravidar, mas o marido não quer ter filhos sob nenhuma hipótese. Ela precisa ficar ao lado dele? Claro que não, se essa for uma questão importante para ela. Permanecer seria uma domesticação do pior tipo se isso a fizesse ampliar seu repertório de ação livre.

Nesse tipo de relacionamento livre você exercita um olhar que simplesmente atravessa a pessoa para além dela mesma. Sempre olhar para além do óbvio e das suas carências e necessidades pessoais.

Quando sua mulher pergunta para você sobre uma nova oportunidade de emprego você pode responder de duas formas. A primeira, tradicional, é aquela que vai privilegiar sua vontade pessoal, se ela vai ficar longe, vai trabalhar com muito homem e se vai ter menos tempo para você. A segunda, rara, vai se perguntar se essa nova chance abrirá novos caminhos para essa mulher se tornar mais brilhante e irrradiante.

Parece um detalhe simples! Mas é esse detalhe que nos impede de fluir em paz no mundo e nas relações quando elas começam, prosseguem e terminam.

Um relacionamento é essencialmente um espaço aberto para movimentação. É só mais um espaço, não o único espaço e nem o melhor. Uma relação pode parecer altamente positiva e saudável, mas pode ser para uma pessoa só enquanto a outra está agonizando.

É fundamental lembrar que nada é de fato seu, nem seu corpo que está mudando e morrendo minuto a minuto.

Se assumir essa perspectiva passageira, livre e transitória da vida você irá se libertar até de opiniões velhas sobre si mesmo. Quem disse que você é assim ou assado? É possível que nem você mais seja a pessoa que acha que é. Pense seriamente se você ainda adora dizer que é sagitariano, católico, corinthiano, viúvo, vegetariano e outros.

Você é vegetariano ou está tendo uma experiência livre com os vegetais nesse momento? Pode comer carne a qualquer momento, pois é livre para isso.

Fechar perspectivas é muito limitante para a mente. Sempre deixe a porta entreaberta. Você pode voltar a qualquer momento para tudo. Pode gostar de ver o Palmeiras jogar mesmo amando o timão.

E se você é incapaz de brincar com essa ideia simples de time de futebol imagine com coisas mais sérias.

Sua mãe não é sua, mas uma mulher que facilitou sua vida e cuidou de condições básicas para você ser feliz. Só isso.

“Independência ou morte!”

Sábio Dom Pedro I.

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4 Comentários

Publicado por em 07/09/2011 em Vida

 

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4 Respostas para “Dependência, apego e morte!

  1. Vinicius

    13/09/2011 at 10:00 AM

    Isso é o que faz uma pessoa perder a sua identidade, quando uma pessoa perde a sua identidade fica fácil manipular esta pessoa, pois ela esta em busca constante de um paradoxo que possa gerar a ela uma identidade única, por este motivo definem uma única maneira de viver e acreditam que viver desta maneira é viver de verdade, na verdade estas pessoas estão em conflito consigo mesmo dia a dia porém preferem seguir seu pensamento LIMITADO visando que o progresso é, cerveja, sexo, trabalho, trabalho, Lanchonete, Casa.

    Vamos refletir e pensar em alguns fatores que estão ficando imperceptíveis para quem não observa a sociedade em geral. A sociedade esta a cada dia ficando mais ACUADA em busca de algo que a traga LIBERDADE, a pouco tempo atrás tivemos o lançamento de um produto no qual não posso citar o nome neste comentário por questões éticas. Este produto era uma bebida natural no qual denominava-se a formula da agua, o seu marketing foi tão focado em ostentar a LIBERDADE DE UMA VIDA ECOLOGICAMENTE CORRETA, que as pessoas que estavam em uma cidade com poluição, stress, trabalho e demais conseqüências de um dia em uma cidade grande, acreditarem que aquela bebida ia os trazer uma sessão de VIVER SEM LIMITES, ECOLOGICAMENTE CORRETO.

    Agora eu pergunto a você, Dr. Paulones

    Qual dessas pessoas tendem a ficar mais estressadas no dia a dia?

    As que buscam meios artificiais de de viver a vida, seguindo uma rotina VICIANTE ?

    Ou as que encaram a vida e buscam sempre conhecer novos lugares, novas paisagens, novos horizontes, focando seus objetivos e buscando aprender dia a dia novas experiências ?

     
  2. Paulo Roberto

    07/09/2011 at 7:14 PM

    Fred, amigo, tocaste num ponto interessantíssimo:

    “Quem disse que você é assim ou assado? É possível que nem você mais seja a pessoa que acha que é.”

    De certa maneira, as pessoas se limitam por gostar muito de se definir como isso ou aquilo. Elas precisam de uma identidade: “sou engenheiro. gosto de musica classica. torço para o corinthians” para se diferenciar dos outros. Mas, ao mesmo tempo que essa diferenciação surge, surge também a limitação. Elas nunca vão sentir o prazer de um mergulho, ou de um rapel, ou o que seja: “pq esse tipo de coisas não faz meu estilo”.

    Uma das coisas mais tristes que ouço é: “Esse é meu jeito e não vou mudar!”.
    Uma identidade agonizando para ser mantida.

    Ultimamente, tenho evitado definições de mim mesmo que me enquadrem em funções, limitando minha liberdade. Como já disse o @pedrosorren : “prefiro saber o que eu não gosto; definir apenas o que gosto limita um mundo de possibilidades inexploradas.”

    Abração!

     
  3. Valquíria Sampaio Ortiz

    07/09/2011 at 2:26 PM

    Gostei da tua linha de raciocínios, vim aqui xeretar!

    “Fechar perspectivas é muito limitante para a mente. Sempre deixe a porta entreaberta. Você pode voltar a qualquer momento para tudo.”

    Será que podemos mesmo? Isso não nos torna volúveis, sem rumo? Há uma linha tênue do que é independência e o que é indecisão.

    No mais, ótima reflexão pra um feriado ;)

     

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