RSS

Amor e histórias inacabadas

03 set

Você já deve ter vivido alguma história que marcou sua vida tão fortemente que jamais foi a mesma pessoa?

Parece que algo prendeu você no tempo e tudo o que mais desejaria é voltar lá, mesmo sabendo de todo o desenrolar.

O padre?

Me lembro de uma mulher de seus 50 anos que se relacionou na adolescência com um jovem que ela ficou muito apaixonada. Ela teve que estudar fora da sua cidade e depois de alguns anos ao retornar descobriu cheia de decepção que ele havia se ordenado padre. Ela seguiu a vida em frente, casou, teve filhos, no entanto, algo dentro dela sempre chamou seu coração para aquela história. Não conseguia amar seu marido como amou o jovem quase-sacerdote. Ela saiu da cidade, não suportando vê-lo frequentemente na missa. Anos depois ela voltou para lá a fim de concluir algo que estava calando fundo há anos. Ao revê-lo, estranhou a sensação parecia a mesma mas era outra.

Me perguntei depois de ouvir essa história, o que mudou ali?

Freud ofereceu uma metáfora quando tentava explicar o caminho da libido no psiquismo. Ele dizia que a libido via se desenvolvendo pelas fases oral, anal, latência e fálica como índios exploradores. A tribo saia de um lugar seguro para outro ainda melhor, mas iam aos poucos, dividindo forçar. A cada grande caminhada se instalavam e formavam um grupo que se fixava num local enquanto o restante seguia rumo ao destino grandioso. Mas as vezes numa dessas caminhadas alguns inimigos entravam em luta. Qual o recurso para vencer uma batalha desvantajosa? Retornar ao agrupamento anterior mais numeroso.

O mesmo ocorre conosco. Diante de um novo embate psicológico a nossa mente recorre ao último momento de segurança e maior fixação dos sentimentos. Aquele lugar pode ou não ser seguro, mas o problema é que ele é inexistente.

Aquela mulher se tornou temerosa dos riscos do amor. Ficou impedida de vivenciar qualquer experiência nova, mais recompensadora ou não, do que aquela anterior. Ficou fixada no passado como a criança que resiste em sair do colo da mãe.

É a recusa pela vida e o movimento.

Assim como as tribos que se formam no meio do caminho, os amores passados tem a sua configuração própria. Cada um tem o seu sabor peculiar. Mas a mente humana que criar uma sensação de continuidade, não sabe lidar com quebras bruscas.

É como uma gestalt que não se fecha.

Algumas pessoas quando numa relação amorosa estável costumam idealizar aquela que já passou como a verdadeira história de sua vida. Mas esse artifício é meio simplista, pois é mais fácil culpar o marido pelos seus próprios medos e fracassos do que encarar que a vida teve que seguir em frente.

A tentativa de achar que o futuro será melhor é a mesma de idealizar o passado. O passado está congelado e pode receber as injeções de fantasias que quisermos.

A cada defeito que aquela mulher descobria do marido imediatamente ela recorria à imagem do jovem sacerdote. “Ele seria diferente, iria me tratar com mais respeito e atenção.”

Ela faz um movimento passivo na vida. Esconde de si o mal-estar pelo medo de dar uma virada em suas ações.

Recorrer ao ideal de amor aos pais ou à infância também configura essa situação.

O presente é o único tempo onde podemos de fato realizar algo. O que poderia ter sido e não foi, no fundo não poderia ter sido, exatamente por que não foi.

Mas se eu tivesse tentado? Se tivesse tentado tentaria, se não tentou não tentou e por isso aquilo é inútil.

O pior demônio que se deve exorcizar ao lidar com uma história mal acabada ou inacabada é perceber que se acabou foi acabada.

Vida em frente!

*

Como amanhã responderei uma carta falando sobre sexualidade resolvi mudar o tema do sabadão.

________________________________________________

Artigos relacionados  

Como exorcizar da sua vida alguém que se relacionou amorosamente?

Amor profundo

As várias máscaras do amor

Por que você gosta de quem não gosta de você?

Por que tenho vontade de voltar com o ex?

Por que me sinto ligada em duas pessoas?

Por que é tão difícil terminar um relacionamento?

Como voltar a ter confiança depois de tanta desilusão amorosa?

7 erros que toda mulher linda, inteligente e sensível comete para ficar solteira!

Como descobrir se um homem vai tratar bem de você depois de casar!

39 itens do seu checklist amoroso

About these ads
 
2 Comentários

Publicado por em 03/09/2011 em Amor

 

Tags: ,

2 Respostas para “Amor e histórias inacabadas

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 543 outros seguidores

%d blogueiros gostam disto: